
JUVENTUDES DE NATALOs jovens natalenses acompanham um momento muito grande de “liberações e possibilidades”. A vibe por aqui tem sido raves, ritmos repetitivos, ininterruptos e intensos de músicas eletrônicas que a cada dia conquistam mais e mais jovens. (Ritmos que lembram o crescimento acelerando (e muito caro) no qual a cidade vem se verticalizando: o mercado imobiliário “todo dia” de lança um novo empreendimento e muitos desses são “exclusivos” para estrangeiros.) Essas vibes vão avançando sobre os inúmeros “forrós no sítio”, alguns literalmente em sítios o que ajuda a selecionar/segregar o público: forró do Pote, do Facho, da Olho d’Água, enfim; avançando também sobre eventos geralmente mais populares como os reggaes e os eventos pop-rock da cidade. Os natalenses curtem ainda shows nacionais no Vila Folia, e do festival MADA – Música Alimento da Alma e a maior micareta do Brasil, o Carnatal.
Inicia-se esse texto, a respeito de jovens, falando sobre entretenimento, pois, essa é uma forma de participação dos jovens na sociedade, como afirma o professor da UNESP (Campi Araraquara) Augusto Caccia-Bava:
“mais recentemente, de grupos de jovens que se movimentaram e circulam em seus próprios bairros, ou mesmo em suas favelas, em busca de experiências culturais, através da dança, do canto improvisado do hip-hop, do grafite, do teatro e também do xote, do forró, da gafieira, do samba no pé, em horas transcorridas nos encontros dessa idade em espaços vazios urbanos, mais que públicos institucionais.” (http://www.espacoacademico.com.br)
Os alunos do PROJOVEM, de formas muito diversas, acessam esses eventos. Geralmente essa forma de participação não ocorre como diversão e sim como trabalho informal. Atuam como prestadores de serviços como seguranças, cordeiros, flanelinhas, motoboys ou mesmo como empreendedores no comercio de cervejas, de ingressos (cambistas), churrascos, etc.
Em Natal ocorre uma expansão muito grande de centros religiosos evangélicos que se instalam massivamente em periferias e arrebanham um número considerável de jovens. A juventude vem sendo servida com uma grande quantidade de escolas e cursinhos pré-vestibular e preparatórios para concursos. O vestuário Teen, redes bancárias e de cartões de crédito têm conferido uma atenção especial aos jovens, principalmente universitários.
Na pacata Natal as estatísticas do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular mostram que os homicídios entre jovens é baixo e a sociedade cultiva o mito de que os jovens são responsáveis pela desordem urbana “Os homicídios de jovens com menos de 24 anos, relacionados aos conflitos de gangs ou galeras, são de 2,56%, índice bastante reduzido, considerando que existe uma representação social de que os jovens são os maiores responsáveis pelo caos e violência urbana, inclusive a violência criminalizada.”.
Devemos ampliar a visão de nossos jovens para que percebam que podem criar oportunidades e potencializar os empreendimentos comerciais, esportivos, estudantis que eles já têm; fazer com que possam reagir as dificuldades e reordenar os espaços nos quais estão inseridos e nos quais podem se inserir. Nada mais justo do que todos terem um lugar ao sol na Cidade do Sol. Devemos fazer com que enxerguem que eles têm luz própria e que suas estrelas também brilham.
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